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Por que as picadas de insetos coçam? Saiba como se proteger nesse verão…

Categoria : Noticias

Verão é sinônimo de sol, praia, chuva, e também de mais mosquitos e,
consequentemente, muita coceira. Mas, por que uma minúscula picada de
pernilongo ou borrachudo é capaz de provocar tanto efeito?
Como explica Ricardo Lourenço, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz,
a saliva dos insetos é composta por um coquetel de proteínas –anticoagulante,
vasodilatador, antiplaquetário– que facilita a absorção do sangue, mas acaba
provocando uma reação alérgica em seu alvo (que no caso é você ou eu). “O que
varia entre um inseto e outro é a quantidade dessas proteínas”, afirma.
Outra diferença entre as espécies de insetos comuns no verão, de acordo com o
especialista, está na forma como eles bebem o sangue. Enquanto o pernilongo usa
o bico como uma espécie de agulha para chegar até o sangue, o borrachudo e o
maruim (mosquitinho do mangue), como têm o bico curto, rasgam a pele. “É
justamente por isso que as picadas de borrachudo e maruim irritam e inflamam
mais.”
A reação alérgica causada pelas picadas varia de pessoa para pessoa, como alerta
Cristiana Abdalla, dermatologista do Hospital Sírio Libanês. Há pessoas que nem
sentem nada, mas outras apresentam coceiras, vermelhidão e até inchaços no
local da picada. O normal é que as coceiras se prolonguem por até cinco dias.
Ela recomenda a visita a um médico em casos extremos. “Se você perceber que a
sua reação à determinada picada saiu do habitual, vale procurar ajuda de um
especialista.”
Isso porque, em casos mais graves, é possível que uma simples picada de inseto
cause um choque anafilático, uma reação alérgica que dificulta a respiração, causa
náuseas, vomito, tontura, sensação de desmaio, suores intensos e aumento dos
batimentos cardíacos. “Não são comuns, mas são possíveis”, destaca Lourenço.

Pode coçar?

Quem já foi picado sabe o quanto a coceira pode ser incontrolável. A notícia é que
coçar está liberado, de acordo com Abdalla. “A coceira é um mecanismo de defesa
e coçar pode aliviar um pouco o incômodo, mas cuidado. Certifique-se que está
com as mãos limpas e evite usar as unhas para não irritar ainda mais a pele ou
causar feridas, que podem ser a porta de entrada para uma infecção secundária.”
Há quem use cremes de cânfora, limão, aveia, vinagre e até amaciante de carne ou
mel para aliviar a coceiras. Mas não há nenhuma comprovação científica de que
essas dicas caseiras realmente ajudem a sanar o incômodo. Portanto, segundo
Lourenço, é melhor evitá-las para não correr o risco de intensificar o processo
alérgico ou até gerar um segundo problema.
O pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz recomenda a boa e velha compressa
de gelo, que “diminui o processo inflamatório, a sensação de coceira e a
vermelhidão”. A medida é paliativa.
Cuidados preventivos
O importante mesmo é investir nos cuidados preventivos, destaca Lourenço. Isso
porque, segundo ele, os insetos não só causam doenças, mas também são
transmissores de muitos vírus e parasitas. “Além de causarem a reação alérgica,
são potenciais transmissores de dengue, zika, chikungunya, febre amarela, malária,
leishmaniose e filariose”, ressalta o pesquisador.
A dengue, a zika e a chikungunya estão presentes em todo o território nacional. Já
a epidemia de febre amarela atinge 21 Estados (todo Norte, Centro-Oeste, Sul e
Sudeste, mais o Tocantins, a Bahia e o Piauí). “A filariose é mais comum no Norte e
em partes do Nordeste, enquanto leishmaniose se desenvolve com mais frequência
nas áreas de Mata Atlântica, principalmente Rio, São Paulo e Espírito Santo”, cita
Lourenço.
A recomendação é o uso de repelente, roupas compridas, mosquiteiros ou
telas.
Contar com a sorte, não é uma boa saída, já que todos estão sujeitos a picadas de
insetos infectados ou não. “É claro que existem pessoas que atraem mais os
insetos do que outras. Mas isso não tem nada a ver com o sangue e, sim, com a
composição das moléculas, influenciadas também pelos hormônios, que formam os
odores do suor e do chulé”, aponta o pesquisador.
Segundo ele, as roupas mais escuras também atraem mais os mosquitos.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/11/21/por-que-as-picadas-de-isentos-cocam-saiba-como-se-proteger-nesse-verao.htm